Jornal Folha de Irati entrevista Prefeito Ledur.

Prefeito Clovis Ledur

Depois de anos trabalhando como médico, tanto no setor público quanto no privado, Clovis Genensio Ledur assume a responsabilidade de ser o primeiro Prefeito eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em São Mateus do Sul. Em entrevista, Ledur comenta sobre os royalties pagos ao município pela exploração de xisto, mostra a real situação da Prefeitura, revela os planos para torná-la um ambiente mais participativo e assume a empolgação com o preço da erva-mate no mercado internacional.
Folha – Como você chegou à Prefeitura de São Mateus do Sul?
Ledur – Minha família é de São Mateus do Sul. Até 2005 eu estava morando fora, e então voltei para exercer a Medicina aqui, no serviço público. Em 2010 exonerei meu cargo de concurso na Prefeitura e passei a me dedicar somente ao serviço privado. Em novembro de 2011, filiei-me ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em dezembro, lancei minha pré-candidatura e constatei que tinha uma rejeição pequena em relação aos meus concorrentes. Na verdade, lancei meu nome planejando ser prefeito somente a partir de 2016, mas, como a situação mostrou-se favorável, levamos a ideia em frente já nesta eleição.
Folha – Como você enxerga o fato de ser o primeiro prefeito eleito pelo PT em São Mateus do Sul?
Ledur – Até 2012, nenhum representante havia sido eleito pelo PT aqui, seja no Executivo ou no Legislativo. Neste ano, além de mim, também se elegeu o vereador Luiz Cesar Pabis, o professor “Tadico”. Ou seja, o PT evoluiu no município. Por se tratar do Partido dos Trabalhadores, existe uma cobrança muito clara da população por um governo mais aberto, participativo e transparente em relação às gestões anteriores. Então, as portas da Prefeitura estarão sempre abertas para o diálogo, buscando atender verdadeiramente aos anseios da nossa população. Já estamos, inclusive, trabalhando no fortalecimento da nossa Secretaria de Planejamento, sob a chefia do Hemerson Baptista, e, a partir de abril, pretendemos realizar audiências públicas agendadas e permanentes no município, no intuito de incentivar a participação popular em São Mateus do Sul.
Folha – Como você avalia a atual situação da Prefeitura?
Ledur – Inicialmente, o maior problema é a estrutura administrativa. Nos últimos anos, em São Mateus do Sul, fazia-se muita política e pouca gestão pública. As estruturas das secretarias não condizem com as necessidades do município ou com o trabalho que deve ser exercido. Dentro do nosso entendimento de administração, faltam muitos profissionais capacitados. Por exemplo, na Engenharia Civil – setor que hoje está em expansão no Brasil – já deveria ter sido realizado um concurso público faz tempo. Também faltam médicos especialistas e funcionários administrativos, como motoristas, encanadores, eletricistas, etc. Na área de informática, para dar suporte a todo o trabalho, há apenas um digitador concursado. Nos últimos dois anos da gestão passada, foram extintos 110 cargos de comissão, pois o Ministério Público entendeu que ocorria abuso de poder político. Então, há uma desestruturação geral, coisa que trava o serviço. Você entra com vontade de trabalhar e não pode porque falta isso, falta aquilo e por aí vai. Mesmo a nossa estrutura física predial nos dá dificuldades, pois nunca foi feita uma manutenção adequada: existem várias áreas de risco. Para resolver a falta de pessoal, emergencialmente, vamos criar vinte e sete cargos comissionados, entre diretores e coordenadores de equipe. Concomitantemente a isso, vamos abrir concursos nas áreas com necessidade de mais profissionais, que são várias.
Folha – E quanto à situação financeira da Prefeitura?
Ledur – Pegamos a situação financeira tranquila. Na gestão passada, foram tomadas diversas medidas de contenção de despesas: o maquinário ficou parado por três meses, construção de asfalto foi suspensa, tentaram devolver o dinheiro emprestado do Paraná Cidade, entre outras. Chegou o dia 28 de janeiro, fizemos o balanço e constatamos que havia um milhão e duzentos mil reais (R$ 1.200.000,00) em recursos livres no caixa da Prefeitura.
Folha – Recentemente, em uma reunião entre a Petrobras, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e representantes do Estado do Paraná, ficou determinado que São Mateus do Sul receba, em parcelas mensais, 20% do total de royalties pagos pela Petrobras ao Paraná pela exploração do xisto betuminoso no município. Como este dinheiro deverá ser aplicado?
Ledur – Em fevereiro, o valor pago a São Mateus do Sul foi de aproximadamente R$ 218.000,00. O apelo popular é fazer investimentos no Hospital Paulo Fortes. Já busquei, junto ao Ministério da Saúde, uma reforma na estrutura e nos equipamentos que são oferecidos lá. Mas, dentro da lei, a União só pode investir em reformas, e não na ampliação – uma vez que o hospital não pertence ao município, mas sim a uma associação. Só que há a necessidade de ampliar essa estrutura. Procurei uma solução para o problema junto ao Tribunal de Contas, mas não há legalidade para fazer isso. Então estamos enfrentando um dilema, o qual deverá ser resolvido com nosso setor Jurídico, com a Câmara de Vereadores e com a comunidade. Se eu simplesmente ignorar a legislação e fizer esse investimento na ampliação do hospital, corro o risco de, na prestação de contas, ser condenado por improbidade administrativa. Então, a ideia é investir no hospital, só que ainda precisamos solucionar essa questão.
Folha – Esta decisão de pagamento dos royalties afeta a relação entre a Prefeitura e a Petrobras?
Ledur – Na verdade, o trabalho realizado para a conquista dos royalties teve iniciativa e execução plenamente do Estado do Paraná, sem nossa interferência. A Prefeitura e a subsidiária Petrosix, aqui do Município, estavam assistindo “de camarote” às negociações feitas entre o Estado, a ANP e a Petrobras em Brasília. Então, nós sempre tivemos certo receio em onerar demasiadamente a Petrobras com royalties, mas também não podemos abrir mão de receita que será investida em benefício público. Cheguei a ir para Brasília, a convite da superintendência local da empresa, porém, sempre assumindo a postura de espectador. Posso afirmar que temos um relacionamento muito bom com a Petrobras, que é nossa parceira aqui no município e é de extrema importância para a economia local. Se, por algum motivo, ela deixasse de funcionar, o resultado seria uma diminuição violenta da receita do Município, tanto em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) quanto em Imposto Sobre Serviços (ISS), ocorreria uma desvalorização significativa dos imóveis e terrenos pois muita gente iria embora, haveria aumento nos índices de desemprego, entre outras consequências negativas.
Folha – Quem são seus parceiros, a nível Estadual e Federal?
Ledur – Estamos tendo um bom suporte do Governo Federal, e o Governo do Estado cumpre aquilo que promete, no que diz respeito a atender igualmente a todos os municípios, sem distinção de partido. Nosso ingresso no Estado se dá através do deputado Alexandre Curi (PMDB), e também dos deputados Toninho Vandscheer (PT) e Péricles de Mello (PT). No Governo Federal, temos os deputados Ângelo Vanhoni (PT) e Nelson Padovani (PSC), este do mesmo partido do meu vice, Clovis Distéfano.
Folha – Há muitos anos, comenta-se sobre a situação precária em que se encontra o trecho da PR-364 que liga Irati a São Mateus do Sul, em sua maior parte não pavimentado. Qual será sua postura em relação a essa questão enquanto força política?
Ledur – Nossa postura hoje é de obter garantias por parte do Estado de que as obras desse trecho se iniciem até janeiro de 2014. Aguardo, inclusive, uma visita ao gabinete do governador Beto Richa (PSDB) para tratar do tema, e vamos monitorar o andamento deste processo. Caso isso não se concretize, buscarei apoio da população de São Mateus do Sul e de prefeitos de outras cidades da região que também se beneficiariam dessa pavimentação para que façamos um apelo coletivo pela obra. Os benefícios do trecho asfaltado seriam imensos. Já tendo exercido a Medicina em Irati, vejo com um carinho especial as possibilidades que ganharíamos na saúde, caso pudéssemos transportar uma parcela das pessoas que precisam de atendimento até lá.
Folha – São Mateus do Sul está entre os principais polos produtores da erva-mate no Brasil. Nos últimos anos, houve uma valorização do produto no mercado internacional. Há algum plano municipal em relação à economia ervateira?
Ledur – Certamente. Estamos muito empolgados com a erva-mate. Comercializamos com estados vizinhos, países vizinhos e agora exportamos até para a Ásia. Pode escrever: esse será o nosso Ouro Verde. Gosto de pensar que essa valorização é uma recompensa a São Mateus do Sul pela preservação de mais de 50% da nossa terra coberta por mata. Estamos colhendo a compensação disso agora, após muitos anos sendo criticados. Hoje há uma mobilização aqui, em uma parceria entre a Secretaria de Agricultura, o Sindimate e a Associação Comercial, com a visão de retomar na cidade o posto de capital do Mate no Brasil. Estamos trabalhando assiduamente para divulgar nosso município como o grande produtor da melhor erva-mate do país. 

 Fonte: Jornal Folha de Irati

Texto e foto: Leonardo Schenato Barroso

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