Edmundo Gardolinski: um engenheiro memorialista

A Secretaria Municipal de Educação e Cultura, através da Fundação Cultural, realizará hoje, ás 20 horas, na Casa da Memória a exposição Edmundo Gardolinski: um engenheiro memorialista, a obra, divide-se em três partes e tem por objetivo apresentar a trajetória histórica de uma engenheiro que preocupou-se com a memória dos Núcleos Coloniais Poloneses.

O deslocamento de milhares de homens e mulheres do continente europeu nos séculos XIX e XX introduziu diversas categorias sociais na esfera produtiva nacional. Alemães, italianos, judeus, poloneses russos e demais atuaram  de forma significativa no processo de modernização da economia brasileira. Calcada no desenvolvimentismo chegaram profissionais liberais diversos e uma massa populacional que tinha como função cultivar a terra.

No grupo de imigrantes poloneses destacou-se a mão-de-obra agrícola, sem desconsiderar as demais categorias. Nessa lógica faz-se necessário apontar a contribuição de um filho de imigrante polonês: Edmundo Gardolinski.

Nascido em 22 de abril de 1914, no município de São Matheus do Sul, estado do Paraná, filho de Mariano e Maria Gardolinski, desenvolveu-se com forte ligação ao ethos polônico.

Incentivado pela família estudou no Instituto Santa Maria, em Curitiba onde freqüentou o Curso Ginasial e, em Curitiba graduou-se na Faculdade de Engenharia do Paraná, onde obteve o diploma de Engenheiro Civil, Pontes e Arquitetura. Concomitante a freqüência do Curso de Graduação trabalhou como topógrafo e engenheiro auxiliar da 9ª Região Aeronáutica na construção de diversos campos de aviação no Paraná e Santa Catarina.

Em 1942 passa a residirem Porto Alegrepara desempenhar importante função: construção da Vila do IAPI. Nesse projeto coordenou a função de construir 2.533 unidades residenciais, parque esportivo, estação de tratamento de esgotos, 40 lojas comerciais e escolas, abrangendo uma área de70 hectarese15 kmde ruas pavimentadas, sempre com o cuidado com o processo de urbanização funcional.

Além dos serviços inerentes a construção da Vila IAPI atuou no acompanhamento da obra do Edifício-Sede do IAPI à avenida Borges de Medeiros, do Hospital do Médico, na reforma da Igreja Nossa Senhora Czestochowa, construção da igreja Nossa Senhora de Fátima, na Vila do IAPI, bem como na Escola que hoje leva seu nome.

Enquanto filho de imigrantes poloneses desenvolveu o espírito de registrar atividades sócio-culturais e religiosas da etnia. Essa dedicação permitiu que o mesmo formasse um significativo acervo que lhe permitia escrever artigos referente à história da imigração polonesa no Rio Grande do Sul, publicadas inicialmente nos meios: Diário de Notícias –  de Porto Alegre, Lud e Kalendarz Lud –em Curitiba. Algunsdesses artigos foram traduzidos e publicados na Polônia.

Colaborador da Enciclopédia rio-Grandense, publicada pela Editora Regional Ltda, em 1958, com o título Imigração e Colonização Polonesa é um marco na preservação da memória do presente grupo. Nos anos de 1960 e 1967, teve a oportunidade de ver três de seus textos publicados na Polônia, através da Academia de Ciências de Varsóvia, sendo através destes as primeiras publicações em solo polonês a qual se destacava o estado do Rio Grande do Sul.

Em 1977  foi a vez de apresentar seu trabalho mais completo, “Escolas da Colonização Polonesa no Rio Grande do Sul”,  publicada pela Universidade de Caxias do Sul. Somado a sua atuação enquanto engenheiro civil é de grande valia sua produção histórica e participação em eventos que envolveram Imigração Polonesa no Brasil.

Wenczenovicz, Thaís Janaina. Pós-Doutora em História pela UFRGS/Instytut Studiów Iberyjskich i Iberoameryka Uniwersytetu Warszawskiego-Polônia. Docente Adjunta na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).

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